A primeira pergunta do seu calendário está errada.
Um calendário cheio não garante que o público tenha recebido as informações necessárias para decidir. Antes de planejar formatos e frequência, é preciso entender o que as pessoas precisam saber.
Por Renata Sampaio
Empresas costumam construir um calendário de conteúdo perguntando: “O que vamos postar?”. Quando deveriam começar perguntando: “O que nosso público precisa saber?”.
Parece óbvio, mas, na prática, essa costuma ser a última preocupação, então, as reuniões começam de outro jeito.
- Precisamos de três posts esta semana.
- Falta um story para hoje.
- Vamos preencher a sexta-feira.
Sem perceber, o calendário deixa de organizar a comunicação e passa a organizar publicações. A diferença parece pequena, mas muda completamente o resultado.
Seu calendário pode estar impecável e, ainda assim, sua comunicação pode estar falhando, parece contraditório, afinal, as publicações estão saindo, os stories estão em dia e o cronograma está sendo cumprido.
O problema é que um calendário cheio não garante que alguém tenha entendido a sua mensagem.
Nenhuma dessas perguntas é respondida pela quantidade de posts publicados.
Existe uma crença muito comum de que um calendário cheio transmite consistência, mas nem sempre essa é a realidade. Às vezes, ele transmite apenas que havia espaço disponível na agenda, enquanto isso, quem chega pela primeira vez ao perfil continua procurando respostas simples.
- Onde fica?
- Quando acontece?
- Para quem é?
- Como funciona?
- Por que isso é importante para mim?
O problema não é publicar, é publicar sem intenção, sem clareza e sem responder ao que realmente ajuda o público a tomar uma decisão.
Comunicação não é uma lista de tarefas.
Imagine uma empresa organizando um evento, ela publica um vídeo bonito, depois uma foto, depois um bastidor, depois uma frase, depois uma trend, tudo isso pode estar impecável e, ainda assim, alguém pode terminar o dia sem saber a data, o horário ou o local.
Nesse caso, o calendário foi cumprido. A comunicação, não.
O calendário deveria ser construído ao contrário.
Em vez de perguntar: “O que vamos postar na terça-feira?”, talvez a pergunta devesse ser: “O que nosso público precisa saber até terça-feira?”. A resposta muda tudo. O foco deixa de ser o conteúdo. Passa a ser a informação. Só depois disso faz sentido decidir se ela será apresentada em um carrossel, um vídeo, um story ou um artigo. O formato é consequência, não o ponto de partida.
Menos conteúdo pode comunicar mais.
Existe um medo de deixar dias vazios, como se a ausência de uma publicação fosse automaticamente um problema, mas uma marca que publica menos e responde às perguntas certas costuma comunicar melhor do que outra que publica todos os dias sem construir entendimento.
Comunicação não é uma disputa por espaço na agenda. É uma disputa por clareza.
Antes de preencher o calendário, responda a uma pergunta.
Se você apagasse metade das publicações previstas para este mês, seu cliente deixaria de receber alguma informação importante? Se a resposta for “não”, talvez o problema nunca tenha sido a frequência, e o calendário tenha sido construído para atender à equipe, e não para orientar quem está do outro lado. Um calendário de conteúdo não deveria ser uma agenda de publicações, deveria ser um mapa das informações que o seu público precisa receber para tomar uma decisão.
Porque um calendário cheio pode organizar publicações. Mas só uma boa comunicação organiza decisões.
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